extra

  

 Quando eu trabalhava em empresa (parece que faz uma vida), no final do dia (quando tava tranquilo, prometo) dava uma abridinha no site do jornal inglês “daily Mail”. Se você já viu esse jornal, sabe que ele definitivamente é um “guilty pleasure”. Teria vergonha de ser pega lendo, mas era entretenimento sem fim. Não tem como negar que o jornal é recheado por notícias bizarras e sensacionalistas.

Quando optei por começar a registrar a história do Tom, fiz com dois grandes propósitos: o primeiro, de ser um escape para mim. Extravasar. Mas escrever não necessariamente significa ter que publicar. Escolhi publicar para que meus amigos e pessoas queridas pudessem acompanhar o que acontecia com Antonio, sem que eu tivesse que repetir a mesma coisa diversas vezes. Quando algo difícil acontece, ter que reviver o momento não é sempre fácil. Às vezes percebia que não contava o que estava acontecendo para pessoas próximas pelo simples motivo que trazer a memória naquele instante me angustiaria – e eu não queria afastar as pessoas, muito pelo contrário. Gosto de ter as pessoas perto de mim. Meus amigos são meus tesouros.

As coisas tomaram outras proporções. A história de Antonio tocou muitas pessoas, muito mais do que imaginaria. E de repente fiquei com medo de tornarem a nossa história numa daquelas do Daily Mail, com aquelas manchetes bizarras: “cobra mutante engole família de sete anões no norte da Inglaterra”. Por um minuto fiquei em dúvida. Será que paro? Será que estou expondo ele demais e sem necessidade? Pensei muito. 

A vida de Tom está sendo diferente. Ele transformou a minha vida. Se três pessoas pensam sobre a vida de uma forma diferente por causa de sua história, então compartilhar está valendo a pena. Se uma pessoa está sendo mais generosa por causa disso, ou mais consciente, mais grata… Se uma pessoa agora sabe o que é a Enterocolite Necrosante, ou a síndrome do intestino curto… se uma pessoa que antes não cogitava doar sangue, agora virou doadora… Ou mais: se alguém se assumiu doador de órgãos, ou está seriamente pensando sobre o assunto, quando antes nem passava pela sua cabeça… Todos esses “Ifs” fazem a coisa toda ter um significado e tanto…

 A minha vida mudou, a vida da Nathalie também. A vida do Tom é tudo menos convencional. O Dani também está nessa jogada. Eu não tenho a menor dúvida que ele vai ser um ser humano incrível, cheio de compaixão, empatia, e garra por causa disso tudo. Ele também é meu pequeno grande guerreiro. A sua história também é diferente. Eu não vou deixar de registrar por medo. A nossa história vale a pena ser contada. 

3 pensamentos sobre “extra

  1. Acredito que a opção de vcs de divulgar o dia a dia do Tom deve ter feito um bem enorme, principalmente para as familias de bbs com o mesmo problema e que não tinham nenhum caso concreto em que se espelhar, tendo que conviver apenas com as explicações médicas, nem sempre muito esclarecedoras (os médicos que me perdoem, mas é verdade….). É diferente ler ou conversar com outra mãe que atravessa a mesma dificuldade… Deus os abençoe pelo bem que espalham, superando os dias difíceis. <3

  2. Bia, você sempre foi muito talentosa e competente em tudo que se dedicou a fazer, e sem dúvida a maternidade tem trazido a tona outros dons, mas a escrita é algo que você nunca deve abandonar, e a sua história, a história de TOM, traz elementos de força, garra e vontade de viver para muita gente. Tenho certeza que você escreve com a alma e o coração e assim também que fazemos a leitura de suas intensas e verdadeiras palavras. Fique com Deus! Beijo no coração de todos.

  3. Bia, a história de vocês vale, e muito, ser contata. Diria até :Obrigada por compartilhar toda sua luta e conquistas. Com certeza ajudou muitas pessoas. Todos nós torcemos para a recuperação do TOM. E ele veio para fazer a diferença neste mundo. Tenho um filho (15 anos) que aos 6 anos foi diagnosticado com a síndrome de Asperger. No início, não gostava de falar para as pessoas… principalmente no banco, pois lá, qualquer assunto “diferente” , achavam que estavam nos fazendo de “vítima”… bobagem… Li e fui atrás de entender sobre a síndrome, e em um dado momento, percebi que quando falava para as pessoas, acabava alertando muitas mães sobre as características muito particular em cada pessoa. Chegaram até falar, porque eu não fazia um blog… Nunca fiz… nem sei como faz… Hoje, vendo a evolução do meu filho e as conquistas dele, temos a certeza que fizemos e estamos fazendo o melhor que esta ao nosso alcance para ajudá-lo e compartilhar com outras pessoas. Continue sim compartilhando suas conquistas… estamos na torcida… bjks

Leave a Reply to Patricia Salviato Simpioni Cancel reply