ano novo

As festas de final de ano foram especiais. É verdade quando dizem que crianças transformam uma família. No dia 24 de dezembro, vestimos Dan e Tom de papai noel, e levamos Dani para o hospital. Diferente do outro encontro, dessa vez eles estavam bem mais esperto e ligados em tudo. Chegaram a se encarar e encostaram as mãozinha. Pela primeira vez segurei meus dois meninos ao mesmo tempo no colo. Não consigo descrever a emoção. No natal nos dividimos – eu passei a noite do dia 24 na casa dos meus pais com o Dani. Ele foi o centro das atenções, e ganhou mais presente que todo mundo junto. Tom também ganhou a mesma quantidade, mas deixei separado para levar para o hospital. A Ná ficou com ele no lá. Depois da ceia (que foi cedo), fiz uma quentinha e rumei ao morumbi. Cheguei no einstein pouco antes das 23h para dar um beijo de véspera de Natal no Tom e na Ná. 
  
No dia 25 a Ná levou Dani para a casa dos pais dela, e eu fiquei com Tom. Recebemos muitas visitas e ao contrário do que alguns podem imaginar, estava sim um clima de festa. Era o primeiro Natal deles. 

No ano novo decidimos que iríamos passar nós duas a virada com Antonio. Ano novo é a minha festa favorita. Sempre gostei de grandes festas, de usar roupa branca nova, e entrar no ano novo com tudo. Nunca imaginei passar um réveillon num quarto de hospital – mas como já disse diversas vezes aqui, a gente se adapta. A Nathalie preparou uma mega ceia, minha irmã Isabela nos deu uma garrafa de Moët e escolhemos nossos outfits. Eu ia usar um camiseta de pijama branca, e o Antonio passaria a virada de verde. O hospital estava cheio gente indo ou vindo de festas, todos arrumados. Tom dormiu por volta das nove da noite, e nós ficamos acordadas esperando dar meia noite. 

Vimos os fogos da cidade pela janela, brindamos, e olhamos nosso filho. Dani ficou na casa dos avós, que toparam na hora ficar com ele. Talvez eu não tenha passado a virada numa grande festa, mas mesmo assim fiquei emocionada. E foi uma ótima virada de ano.

A virada de ano me trouxe novas esperanças, novas amizades. Imagino que quem é mãe participa de grupos de WhatsApp das mães da escola, da natação e etc… Eu participo de um grupo de mães com filhos que tem Síndrome do Intestino Curto. Crianças de diferentes idades, que chegaram ao problema por diferentes formas – uns por Enterocolite Necrosante, ou volvo, ou alguma má formação. Um grupo que fala de sondas, NPP e resultados de exames. Um grupo que perdeu dois dos seus pequenos integrantes desde que o ano começou. Que nos lembra de como essa doença é traiçoeira e que nós não temos certeza de nada. Um grupo que mostra que nós somos fortes, e nossos filhos mais ainda. Aline, mãe do guerreiro Léo (https://www.facebook.com/juntospeloleo/) parece uma amiga de outras vidas. A pessoa certa na hora certa.

As diferentes histórias inspiram, e me fazem pensar em como eu vivia de forma desavisada antes. Por mais que temos noção que cada um que habita esse mundo luta a sua batalha, só agora tenho noção da dimensão dessas batalhas.  

Antonio está lindo e forte. Já bateu os 6kg, o que por si só já é uma vitória sem tamanho. Esta risonho e feliz. Gosta de bagunça. Consegue fazer meia hora de fisioterapia na boa agora. E começou o ano livre de morfina. Esta sem nenhum remédio para dor, aos poucos foi se livrando de todos. Pela primeira vez, está sem dor. Parar de tomar morfina fez com que Tom desse um salto de desenvolvimento. Ele está se descobrindo e descobrindo que a vida pode não doer. E eu só posso ficar ao seu lado, dizendo “viu filho, a vida não é só dor.”