Infecção 

  
Desde que nasceu, o Tom sempre nos deu sustinhos e nos deixou com o coração na boca. Cirurgias, intercorrências, mais cirurgias. Sabíamos, a esta etapa, lidar muito bem com tudo isso.
Mas ele sempre foi muito forte, respondeu bem a todas as sedações e remédios e respirava bem. Nunca soubemos o que é ter um filho com problema para respirar – e isso é o mais comum em prematuros. Felizmente a Bia pode tomar aquelas injeções para preparar melhor o pulmão dos meninos – e deu certo. Somente acompanhávamos o drama das mães – e filhos – dependentes de oxigênio.
Naquele 10 de outubro tudo mudou. Tom parou de respirar. E com a a falta de respiração, veio a bradicardia. Ficou roxinho. 
A Bia me ligou, também sem ar.
Me troquei, troquei o Daniel, deixei ele nos avos e fui para o hospital. Em menos de uma hora eu estava lá.
E soube que tinha ocorrido de novo. Fizeram um raio X para ver se tinha algo no pulmão – Depois do raio X ele começou a chorar e parou de repente… Aqueles segundos suspensos em que não entra ou sai ar. Àquela altura, parecia ser uma pneumonia. A médica nos disse que não podiam correr riscos e ele teria de ser entubado. Tudo tão de repente. Em questão de horas ele foi de estar brincando para estar entubado.
Ficamos um bom tempo lá, com o Tom entubado e sedado. Era mais seguro assim.
No dia seguinte era aniversário da minha mãe. Pretendia ver o Tom, buscar o Dani e almoçar com ela. Mas no meio do caminho, outro susto. E desta vez era nos meus braços. No meio de um ecocardiograma fui “perdendo” o Tom. Roxo, sem se movimentar. A emergência chegou rápido: ele teve de ser reanimado. E nesta, teve uma fratura na costela. Não sabia que era possível ter uma parada respiratória estando entubado.
A hipótese de pneumonia foi afastada: ele tinha uma infecção. Sempre soubemos que era um risco enorme para ele, dependente de alimentação parenteral por catéter. Mas acho que não tínhamos pensado no que isso significava.
A semana foi assim. Diversas paradas, emergência, reanimações. Mudamos para o quarto ao lado dos médicos, para que eles chegassem mais rápido.
Levei meu escritório para o hospital e trabalhei lá a semana toda, cuidando do Tom e da Bia. Era como se nosso filho estivesse sido internado pela primeira vez.

2 pensamentos sobre “Infecção 

  1. Não consigo ler seus relatos sem chorar. Não consigo parar de questionar: por quê? Tão pequeno, tão indefeso, tendo que ser tão grande, tão guerreiro. Força garotas! Todos os meus bons pensamentos tem sido dedicados a vocês. Mas,em especial, ao Tom.

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