propósito

image-2Quando as pessoas ficam sabendo da nossa história, ou acompanham por aqui, elas frequentemente nos chamam de “guerreiras”. Se alguém tivesse me falado que nós iríamos passar por tudo isso, eu sem dúvidas falaria que não aguentaria, que ia surtar e ter um troço. Fato é, que quando você fica cara a cara com uma coisa assim você não tem muitas opções, a não ser encarar. E muitas outras coisas estão aí para me fortalecer – acho que nem preciso dizer que as principais são Dani e Tom.

Tom nos surpreende diariamente. Algumas vezes já vimos os médicos surpresos por resultados de exames super positivos depois dele ter algum quadro super grave.  Há umas semanas, Daniel começou a dar risada. Qual foi a minha surpresa quando essa semana Antonio também sorriu e deu risada para mim. Mesmo tendo ficado um tempão entubado, dopado, com dor, Tom da risada. Maior lição de vida que isso não existe – se até ele esta rindo, quem sou eu para ficar triste.

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Dani permite que eu tenha uma experiência mais ou menos ~normal~ de maternidade. Mesmo passando por vários estresses e sustos, tenho conseguido ter um pouco de leite para amamenta-lo. O menino é uma draga, conhecido como o “monstro da mamadeira”. Sinto culpa constante por não poder ficar com nenhum dos dois em tempo integral, mas me conforto pensando que quando crescerem, eles vão entender.

Quando o Tom estava tendo as complicações, ficava muito aflita por não ter com quem compartilhar, no sentido de ter alguém que já tivesse passado por uma situação similar. Me lembrei então da Sylvia, colega de época de escola – sua filha tinha tido uma longa estadia em UTI neonatal. Lembro de ouvir as histórias, mas na época eu não tinha a menor noção do que ela realmente tinha passado (e na verdade, ainda não tenho). Resolvi escrever para ela. Compartilhei meus medos, angústias, tristezas, conquistas – contei toda a história, e ela foi rápida em me responder. Começamos a nos corresponder (ela mora fora do Brasil), e assim comecei a perceber o apoio que receberia de lugares não previsíveis. Foi então que eu entendi como as pessoas se mobilizam e são tocadas pela história do nosso Tom.

A incubadora dele virou praticamente um altar, com representações das mais diversas fés, (a fé é fundamental quando se passa por algo assim. Tentar achar um propósito ajuda, pelo menos para mim) medalhas, santinhos, preces… vindos de Portugal, Aparecida, diferentes igrejas… e um cristal, de João de Deus – Sylvia comentou com uma amiga tudo que o Tom estava passando – essa amiga faria uma visita ao João de Deus em Goiás. Um dos gestos que mais me tocaram foi saber que ela levou uma foto do Antonio para o trabalho de cura, e ainda trouxe um cristal e água benta. Ela sequer me conhecia. Já deu para entender que esse menino tinha uma missão de aproximar as pessoas.

Recebemos carinho de mil e uma formas. Um muito especial é em forma de pão. Moema faz pães maravilhosos, trouxe um para casa um dia desses. Depois de ver a minha satisfação com o pão, deixou vários outros em casa em diferentes dias. Ela diz que dessa forma sente que esta ajudando – e não sei se ela sabe o quanto. Além disso tem as amigas que vão em casa munidas de compras de supermercado. A visita traz o petisco.

A nossa família tem se unido cada vez mais. Além de passar um tempo infinitamente maior agora com pais e irmãs, passei a ver meus sogros, tia, primas e avós com uma frequência muito maior. Parece que nos unimos com um propósito.

Tiveram também as pessoas que entraram em contato comigo depois de lerem o blog. Pessoas com quem não falava há anos de repente entraram em contato comigo. Muitas vezes não sabiam muito bem o que dizer, mas as palavras ajudam. O carinho ajuda. Pessoas que passaram por problemas similares, ou até um caso de uma moça que perdeu a filha por enterocolite necrosante que disse que as minhas palavras poderiam ser as dela.

Algumas vezes já me escreveram pedindo para contar logo que estava “tudo bem” com o Tom. Quero isso mais que tudo, mas infelizmente esse dia ainda não chegou. Podem ter certeza que vai ser a maior alegria compartilhar isso com vocês.

Um pensamento sobre “propósito

  1. Ja me falaram que nossos filhos escolhem a gente e se fomos escolhidas é porque “dariamos conta”. Eu não consigo imaginar como não conseguir, ninguém me deu essa opção. Acho que a guerra faz o soldado, e ai vamos nós. E já que estamos aqui nessa situação, vamos viver e fazer to nosso melhor. Tudo passa!!

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