quarta

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A espera entre a terceira e a quarta cirurgias do Antonio pareceu uma eternidade. Estavam esperando ele ficar mais estável clinicamente para poderem operar com tranquilidade. Passava os dias com ele na UTI neo, vivendo a minha rotina que tinha sido instalada.

A idéia da quarta cirurgia seria fazer uma reversão da ileostomia (se o cirurgiao achasse que tivesse condições para isso), e ter certeza que todas as partes doentes do intestino tivessem sido retiradas. Assim, o plano era conseguir ter um único intestino, todo ligadinho, saudável e funcionando bem!

Quando o dia da cirurgia chegou, estávamos calmas. Já estávamos um pouco acostumadas com esse ritual de cirurgia (por mais que seja algo que você nunca se acostume de verdade).

A calma aparente, contudo, escondia todas as angústias. O medo de o intestino não poder ser ligado, de ter de retirar tudo, de alguma intercorrencia colocar a vida dele em risco durante a cirurgia. Nós sequer nos falamos sobre todos estes medos. Eram velados. Melhor assim.

Fomos para a sala das mães e fizemos o que já estávamos pró em fazer – esperamos. Duas horas depois, a anestesista ligou: ela queria nos acalmar e dizer que estava tudo bem, mas que a cirurgia era complexa e estava ainda em andamento. Mais três longas horas se passaram até que o cirurgião veio nos encontrar. A cirurgia tinha sido de “gente grande”.

Conseguiram reconectar o intestino, mas tiveram que remover mais partes dele. Antonio tinha agora 12 centímetros de intestino, quase nada. Mais que oficialmente, tinha um intestino curto. O médico disse que a recuperação seria lenta e difícil.

O que ele precisaria, quais os próximos passos e como seria a vida dele somente a recuperação dele poderia dizer.

Antonio voltou da cirurgia acompanhado de um batalhão de pessoas – estava entubado e ainda sob efeito da anestesia. Quando as enfermeiras estavam ajustando ele de volta, instalando medicações e etc, observamos um fenômeno que chamo de “pai urubu”. O pai da criança que estava na incubadora ao lado de Tom virou e ficou observando tudo que era feito com ele. Não se dava nem ao trabalho de disfarçar – Antonio era mais interessante que seu próprio filho. É o que chamo de curiosidade mórbida. Quase voei no pescoço do cara. Engraçado mas isso era relativamente comum na neo. Como todos os bebês ficam juntos, algumas pessoas não conseguiam conter a curiosidade sobre as crianças – passavam colocando a cara dentro de todas as incubadoras. Irritante.

Ficamos com ele um pouco e fomos para casa. Saberíamos que depois de tanto andar, nosso caminho estava apenas começando.

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