neo

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Quando voltei para o quarto depois dos meninos nascerem, nossas famílias estavam lá. Como não pude providenciar, minha irmã desenhou o enfeite de porta durante o parto – Tom e Dani acompanhados dos nosso gatos Theo e Mika. Não lembro de muita coisa, só sei que eles não ficaram muito tempo, queriam deixar a gente descansar. Eu falei para a Nathalie descer e ir ver os meninos na UTI. Só queria saber deles.

Quando vi, estava sozinha no quarto, ainda sem sentir minhas pernas, meio dopada, e super emotiva. Não tinha conseguido ver o rostinho dos meus filhos. A Ná começou a me mandar fotos deles, e eu respirei mais aliviada. Eles realmente existiam.

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De repente, entra uma mulher no quarto, falando que nem uma metralhadora. “Oi! Boa noite! Ué, você tá sozinha? Como assim? Cadê todo mundo? Cadê os bebês? Falando nisso, parabéns hein! Gêmeos! Bla bla bla bla bla bla bla…” Eu juro quase mandei ela calar a boca. Não estava entendendo quem era essa mulher. Ela começou a me perguntar “o RN1 é qual? Que horas ele nasceu? Qual o peso?” – gente, eu mal sabia o meu nome e essa tia eufórica estava me sabatinando?

A mulher aí de cima foi quem veio coletar os cordões umbilicais que seriam armazenados no banco. Maravilha. Mas quem manda uma tia dessas pro quarto de uma recém parida? A Nathalie voltou pro quarto e me salvou. Pedi pra tia se não podíamos ter essa conversa em um outro momento.

Não dormi essa noite, mas toda vez que cochilava eu sonhava com os meninos. Na verdade, a imagem das fotos que a Nathalie me mandou estava estampadas na minha cabeça.

Quando amanheceu eu quis logo saber quando poderia ver os bebês. Estava morrendo de dor por causa da cesárea, e me sentindo super estranha. Me colocaram na cadeira de rodas e descemos para o sétimo andar – UTI neonatal.

Fui levada até o fundo, onde estavam as encubadoras dos meninos. Comecei a chorar antes mesmo de vê-los. Fomos informadas que a cirurgia no intestino do Tom seria naquela manhã, às 11 horas. Tivemos que assinar termos e autorizações. Meu bebê de menos de 24 horas de vida tomaria anestesia. Passariam também um catéter.

Quando eu finalmente vi meus filhos, fiquei tão desnorteada que quase desmaiei. Quase mesmo. Precisei sentar e respirar muito para não apagar. Que vergonha, a pessoa apagar no meio da UTI. Também chegamos bem na hora que estavam coletando exames do Tom – ver seus filhos sofrendo, sendo picado por agulhas e afins já não é fácil. Seu primeiro grande encontro com ele ser assim é mais difícil ainda. Mas como tem sido desde então, acho que é sempre mais difícil para mim do que para ele. O cara é um touro. Carinhosamente apelidado pela minha família de “Antouro”.

Como ele era pequeno!  1,215kg de pura gostosura. Moreninho. Foi paixão à primeira vista.

Dani estava com um aparato chamado CPAP que ajuda na respiração, não conseguia ver o rostinho dele direito. Os dois tiveram que usar ao nascer, algo bastante comum em prematuros. O Tom, por ter um problema intra-útero já estava mais “preparado” para nascer. O Dani estava lá de boa e teve que ir na onda do irmão. Por mais que tenha nascido maior (grandes 1,720kg), demorou um pouco mais para entrar na onda de respirar ar ambiente. Ele era vermelho e parecia ser loiro! Meu coração explodia de tanto amor. Que vontade de dar um cheiro nesses bebês.

Fui embora da UTI com o coração na mão. Não conseguia parar de chorar. Voltei pro quarto e ficamos aguardando a cirurgia do Tom.

6 pensamentos sobre “neo

  1. Tão engraçado ver a história agora, quando eu já vi parte dela de longe, como espectadora sem saber o que acontecia. Lembro quando o Antonio chegou na Neo e dos colinhos com a manta de estrelinha ❤️ E os choros dele de longe.

  2. Bia, quanto amor a gente sente por esses pequenos. Adorei o blog, vou acompanhar vocês por aqui. Um beijo grande e muitas felicidades para os 4, adri

  3. Bia e Nat, quanto amor!!! a vinda dessas crianças tem sido uma alegria na minha vida; imagino na de vocês. Acreditem que esse amor que vocês sentem e eu também vai superar a tudo na vida. Vocês também são GUERREIRAS.

  4. Ei, queridas! Depois de ter lido “o começo”, acabei retornando ao blog somente hoje e li avidamente esses outros três…como vcs escrevem muito bem, enquanto lia, passava um filme na minha cabeça, como se eu estivesse presente em cada um dos momentos narrados…é muito legal estar conectada com vcs através daqui…por duas vezes, o Flávio quase me levou junto ao Einstein, para conhecer o Tom, pois o Dani já tinha ido para casa.
    Agora já estou viciada no blog…quero ler o próximo capítulo, ou melhor, episódio…como nos seriados, né Bia…
    E Natalie, aqueles óculos do Zé Bonitinho faziam parte do “uniforme” de médica fake, né? Ooops…se não for….sorry…
    Adorei o Antouro! E como alguém aí disse, vcs tb são guerreiras!
    Bjs e carinho para vcs!

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