esperando

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Sei que disse que não iria me alongar falando da gravidez, mas a semana que antecedeu o grande dia merece um relato. Na quinta, 2 de julho, tive uma consulta médica (vale dizer que meu obstetra, que foi também quem fez todo o processo de inseminação, é um médico brilhante, porém não muito carinhoso ou que faz nhê nhê nhê. Eu particularmente prefiro assim). Minha pressão estava subindo já há um tempo, tinha sido afastada do trabalho e sabíamos da complicação com Tom. Confesso que o médico, nesta consulta, me deixou meio assustada – disse que havia riscos para os dois bebês. Me acabei de chorar. O chá de fraldas aconteceria dois dias depois.

Juro que cogitei cancelar, mas fui convencida a não, ainda bem. O chá de fraldas (meu pai não entendeu muito bem um chá de fraldas onde cerveja e vinho rolavam soltos. Acho que na cabeça dele no chá de fraldas as pessoas tomavam chá, e só mulheres eram convidadas) foi uma delicia, principalmente porque consegui ver as pessoas uma última vez antes da chegada dos meninos. Mal sabia que em menos de uma semana eles dariam o ar da graça.

Na segunda feira tive uma nova consulta no médico. Desta vez ele foi um pouco mais empático, disse que eu não tinha que ficar chorando, que os bebês ficariam bem. Mesmo assim, minha pressão neste dia subiu nas alturas. Estava tipo 17 por 11. Fiquei deitada na clínica por umas 3 horas e nada da pressão baixar. O perigo da pressão alta na gravidez é tanto para mãe quanto para o(s) bebê(s). Fiz um novo ultrassom neste dia, e o Tom já começava a mostrar sinais que não estava recebendo nutrição adequada. Saí da clínica direto para ser internada no lugar para o qual tenho ido diariamente desde então – o Einstein.

Durante os 5 dias que fiquei internada antes do parto, basicamente lia (o livro da ex namorada do Hugh Hefner, algo super intelectual), comia, e fazia xixi. Daniel estava convenientemente sentado na minha bexiga, o que fazia com que visitasse o banheiro de 5 em 5 minutos. Demorava 10 minutos para conseguir levantar da cama, então essa atividade realmente ocupava meu tempo. Não podia comer nada de sal por causa da pressão, então a comida era, ó, uma delícia. Risos.

Num desses dias, um amigo meu foi me visitar e ficamos papeando. O Einstein tem um programa de “voluntariado”, onde senhoras de jaleco rosa ficam perambulando pelo hospital fazendo coisas que ainda não entendi o que são. Neste dia, uma destas voluntárias entrou no meu quarto e começou a fazer small talk comigo. “Pq vc foi internada” “qual o sexo do bebê?” “Nossa! São dois bebês?” “Você tem gêmeos na família?” Etc etc etc… Ela logo começou a se dirigir ao meu amigo como se ele fosse o pai. “deve estar ansioso, né papai?”. Pois é gente, se tem uma mulher grávida acompanhada de um cara, ele automaticamente é o pai. Meu amigo (gay, no caso) ficou super orgulhoso de terem achado que ele tinha potencial para pai. Tudo isso enquanto ele consultava o Grindr para ver se tinham médicos gatos disponíveis no hospital.

Minha família se revezava para ficar comigo durante o dia enquanto a Ná dormia todas as noites lá. Enquanto estava lá recebi injeções de corticoide que ajudariam no desenvolvimento dos pulmões dos meninos. Fazia exames para ouvir os batimentos cardíacos dos bebês, media a pressão de 4 em 4 horas e me preocupava constantemente com os pequenos.

Na sexta feira, dia 10 de julho, fui fazer mais um ultrassom. A minha irmã Simone me acompanhou neste – foi detectado que o Tom praticamente não estava recebendo mais nutrição, e por mais que a médica que fez o exame parecesse descontraída, eu sabia que os meninos viriam logo logo.

Não deu outra – nesse mesmo dia, umas cinco da tarde, me ligou meu obstetra dizendo: vai ser hoje. Fiquei congelada com um misto de pânico, medo e ansiedade. 32 semanas de gestação: sabia que bebês nasciam e ficavam relativamente bem com esse tempo de gestação. Mas, além disso, ainda tinha o problema do Tom para considerar.

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